1º Bonatto Rock Bunker - PARTE 2
Toda a “nata” (quando digo nata é porque são os principais, ou organizadores por assim dizer, o público viria depois) já estava por lá e Pau D’água já estava mostrando seus dotes de DJ, às vezes agradando com Rammstein, que fez tudo mundo pular, e outras vezes decepcionando como quando ele colocou pra tocar Don’t Cry do Guns. Nessa vez o Bonatto se obrigou a dar uma putiada nele falando: “Pau D’água!!! Hoje não é dia dos namorados, Pau D’água!” Uma outra hora fui lá pra fora pra ver a quantas andava o movimento do pessoal que ia entrando e ouvi Prodigy tocando dentro do galpão, pra minha sanidade achei melhor continuar lá fora. O Pau D’água começou então a botar alguma coisa pra rolar no datashow, era o Pulse do Pink Floyd, se não me engano, mas como se não houvesse nada além de luz sendo projetada naquela toalha de mesa, todo mundo (inclusive eu) começou a brincar com sombras, fazendo formas com as mãos, dentre elas dedos no nariz de David Gilmour, pássaros, dinossauros e outros animais tão comuns para nós nos dias de hoje. Fato esse que ia se repetindo durante a noite toda, não importando o que estivesse sendo projetado ali.
Lá fora na entrada estavam o Eder e o Oberdan, que foram escolhidos por unanimidade pra serem porteiros devido ao seu porte de armário. E não é que os caras levaram a coisa a sério? Assustavam qualquer um que fosse entrar na festa, não que isso fosse bom. “Cadê os ingresso magrão? Quantos tão aí contigo, magrão?” Vai, vai andando que tá vindo mais gente!” Sobrou até pro Bonatto que uma hora foi inspecionar como tava a entrada: “Bonatto, sai fora daqui que tá atrapalhando o fluxo!” O Fausto também comentou algo com se sentir intimidado logo na entrada do lugar. Para se prevenirem na entrada, no caso de encrenca, o Éder pendurou na cintura por dentro do capote um facão e um machado.
Foi feito um estacionamento lá pra cima atrás do galpão pra precaver o pessoal se caso chovesse, o que ia deixar impossível a saída dos carros devido ao lamaçal que ia virar aquilo. Coisa que foi provada mais tarde, até porque não tinha muita cara de que ia chover naquele dia. Ou quem ia chegando estava meio acanhado, ou o som estava meio alto, porque a maioria estava lá fora papeando e tomando trago. 
Foram tiradas algumas fotos lá fora com o pessoal da banda, fotos com alguns que nunca se viu na vida antes, e outro conhecidos. Como diz o Bonatto: “Essa vai ficar pra posterioridade!”
Como é normal alguns alugavam o Pau D’água devido a, por assim dizer, impressionante aparelhagem de som, com mesa e até um Mac que não reconhecia cds de Mp3 e nem a máquina digital do Alemão. Tudo certo!!! Apareceram até uns galetos por lá, sim guriazinhas mesmo, a irmã do Bonatto e sua trupe.
Bretão e Titi a princípio estava no comando do bar, Titi fumando o que restou de um charuto que o Tiago trouxe. Eu digo o que restou porque quando ele foi abrir o charuto ele rasgou metade fora, espedaçou mesmo. Só restou um toco.
Tinham também casaizinhos que não se largavam, uns por se amarem muito (até demais) e outros porque estavam com medo daquilo tudo, como comprovei uns dias depois da festa. Caso deste foi o Nelso, que ficou o tempo todo com sua namorada agarrada nele pra valer! Quando eles foram largados em casa pelo Felipe, irmão do Fausto (sim, ele foi!!! E se não me engano até tomou uma batida de abacaxi), Nelso percebeu que sua namorada tava meio pálida e perguntou o que ela tinha, e ela disse: “Calma, deixa eu me recuperar do susto!” Ná, também não era tão apavorante assim, só que quem não está acostumado se assusta mesmo. Mas se for pensar bem, se está namorando o Nelso, está preparada pra tudo.
O legal é o Tiago, namorado da Patty, o cara faz amizade com qualquer coisa que se mexa. É só comprovar as fotos, ele aparece em muitas e abraçado em quem ele nem conhecia. Ele é um entusiasta, tipo o Bob Esponja.
Eu e o Titi fomos lá fora dar uma orientada nos carros que iam entrando e ficávamos nos falando com orgulho daquele movimento todo: “Muito bom cara, muito bom!” Uma hora resolvi misturar uns tragos, peguei um copo de cerveja, com meu supercopo de metal comprado no R$ 1,99 (que custou R$ 2,99) e outro copo de prástico de uma batida de abacaxi muito boa, feita pelo mesmo cara que cuidou da decoração (que eram páginas em preto e branco impressas por todo o lado com frases e fotos Bem Rock n Roll). Mas agora, misturar vinho nunca mais!! Pra um evento desse porte, só se esperam cuecas, mas apareceram várias gurias por lá, foi até de se estranhar. Vai ver foram obrigadas pelos namorados, mas até estavam se divertindo, tirando as apavoradas e as namoradas descontentes. Numa certa hora as garotas resolveram tomar o banheiro só pra elas, até porque era o único, e com homem entrando lá, ele não ia durar muito tempo limpo.
Teve até um caso que a Iandra me contou. Após a tomada do W.C. por parte das garotas, um carinha chegou lá e foi entrando, a Iandra meio que mandou ele ir mijar em outro lugar e sabe o que o cara respondeu? “Eu sou gay!” Bom, ela ficou sem reação e nesse tempo ele já havia entrado pra fazer suas necessidades, Deus sabe lá se em pé ou sentado. O que sobrava para os caras era a parte de trás da casa para urinarem. Fato resgistrado pelo Alemão.
Bonatto, um dos organizadores (cara, eu ainda dou rizada quando vejo o nome do Bonatto do lado de organizador), foi até o microfone pra avisar o pessoal que lá fora iria acontecer um show circense pirotécnico, mas o microfone do Tiago meio que tava dando pau e só algumas palavras junto com uns gritos foram ouvidos, mas tudo bem, todo mundo entendeu e foi lá pra fora.
Como alguém tinha que ficar no bar, a Iandra se apresentou. Detalhe, depois de um tempo fiquei sabendo que acharam o máximo ela no bar: “Quem era aquela moça alta e simpática? Fazia parte do show? Ela ficava largando várias piadas!” Na certa deve ter sido cantada também, mas isso não me foi comprovado, mas tudo bem pra uma festa com bebida liberada. Ela até já foi intimada a ficar no bar na próxima festa.
O Show teve tudo a ver com a festa em si. O que melhor pra um bando de rockeiro maluco do que fogo? Alguns caras e umas gurias, dentre elas uma conhecida minha e da Iandra estavam fazendo malabarismos com fogo e eles eram bons. Era engraçado ver o Bonatto gritando pra uma das gurias: “Tá pegando fogo na roupa, tira, tira!” Eles iam meio que interagindo com o pessoal, tanto que até o Pau D’água dançou com uma das gurias, tudo isso com um coro: “Pau D’água, Pau D’água!!!” Pelo jeito, depois daquele show que ele fez na bocada, ele levou a sério esse negócio de dança. Uma hora um dos caras foi cuspir fogo e quase incendiou o rosto, quase!
Após isso, aí pelas duas da matina, eis que a banda começa a tocar e junto com ela começam as cotoveladas e o empurra-empurra de praxe. O legal era que eu enchia um copo de cerveja, ia pro bolo, lavava alguém, voltava no bar, pegava mais cerveja só pra voltar pro bolo e lavar outro.
Tudo isso com o Cleber na minha cola, o cara parecia um chaveiro, ia atrás de mim o tempo todo. Tanto que uma hora falei pro Fausto: “Cara, cuida aí do Cleber que eu vou mijar!” Mas o melhor do Cleber é o quanto se pode avacalhar com ele. Teve uma vez que o Fausto deu um empurrão no cara que ele voou até a ripa que separava a banda do público. Tudo o que ele fez foi voltar balançando a mão. Hehehe! No meio do bolo de quem ficava agitando com a banda tinham uns que estava sem camisa, não sei como, até porque tava meio frio como se vê nas fotos. Coisa do Tiago e do Bonatto.
Fazia tempo que toda a gurizada não saltava junta ao som de AC/DC, fico meio assim por alguns amigos que não puderam ir na festa. Isaac, Igo, Marcelão, Helen, Maurício...
Em uma certa hora o atendimento do bar melhorou, melhorou porque mais algumas gurias foram atender, entre elas a Patty e a Lilly. Isso até nos deu uma idéia de para a próxima festa (que se Deus quiser vai ser dia 11 de Novembro), vamos colocar somente elas ali de biquini e fazer com que aprendam a abrir a cerveja entre os seios! Hahahaha! Mas pra isso tem que ser cerveja paga pra lucrarmos mais, hahahah. No mínimo elas devem ter levado várias cantadas!
Todo aquele agito com banda tocando alguns casais indo para os carros pra sei lá, jogar xadrez acho eu, e então começa a chuva, na verdade um megatemporal. Chuvas e trovoadas varrem aquela parte da colônia, ficamos com medo de que faltasse luz, mas o que aconteceu foi aumentar a adrenalina mais ainda. High Voltage!!!
Em uma certa hora começou a faltar cerveja, o Bonatto foi avisado umas 500 vezes por todo mundo para pegar mais lá na casa dele, mas ele não fazia nada. Até que uma hora ele, o Tiago, o Alemão e o Bonattinho foram até lá com a Rural pegar mais, tudo isso embaixo do temporal. Correndo até a Rural na hora de dar a volta pela sua frente o Alemão levou um escorregão de erguer as pernas, literalmente ficaram em 90°, o Tiago não se conteve e chorou de tanto rir. Após o ocorrido e com as calças imundas o Alemão sentou ao lado do Bonatto e olhou para fora pra dizer se ele não ia bater em algo no caminho. Bonatto acelera e voa barro na cara do Alemão. Depois de manobrar a Rural o Bonatto segue em frente com o Alemão ainda olhando para fora para orietá-lo, então o Bonatto freia de soco e o Alemão bate a cabeça na ventarola, bem no supercílio. Não era o dia do cara mesmo... Finalmente chega a cerveja junto com o Alemão estropiado e as gurias ficam aliviadas pois já não sabiam mais o que dar de desculpas pela falta dela. Mas mesmo assim foram orientadas a não servirem muitas. Naquela altura várias pessoas já haviam ido embora, uns contra a vontade, outros por sono, outros por frio, vai saber.
A banda chega ao ato final que é a música For Those About to Rock onde no original tem canhões disparando. Numa idéia genial que a gurizada teve, seria legal se tivéssemos nossa própria explosão, e foi providenciado! O Titi desenvolveu um dispositivo explosivo caseiro que era acionado com um botão e colocou ele do lado de fora do galpão. Tinha uma explosão só, mas era o suficiente. A parte da música em que tinha a explosão final chegou, Tony (o vocalista) acionou o dispositivo e a explosão aconteceu. Foi muito legal se não levarmos em consideração que uns pedaços da lata em que estava o explosivo entraram no galpão e atingiram um cara bem nas costas. Só ouvi a explosão e o cara gritando que tinha sido acertado. Os guris pra dar uma disfarçada disseram que não era nada demais só tinham umas fagulhas e tal, quando na verdade até furou a camisa do magrão. No mais o show terminou, sobrou uma penca de vinho que tive que levar até o carro que estava no alto do morro, o temporal cessou, perdi meu copo de R$ 2,99 e fomos para casa. O melhor da volta foi que o Cleber ficou quieto o tempo todo, depois ele me falou que tava meio mal. Pensando bem, ele poderia ter vomitado no carro... Na volta notamos que o temporal fora muito maior do que se imaginou. Pelas ruas da cidade, árvores torcidas, galhos e sujeira espalhada, coisa que no dia seguinte fiquei sabendo ser um quase tufão. Caramba! Não lembro direito como larguei a Iandra nem o Bretão e muito menos como cheguei em casa, mas que esta festa vai ficar na memória e entrar para a história, ah isso vai! Basta falar com quem foi, todos falam bem, inclusive o pessoal da banda que apesar de ter chovido nos instrumentos acharam tudo aquilo perfeito.
E tem muitas outras histórias para se contar aqui mas a coisa iria longe demais e ninguém iria ler, tá bom só mais uma, nessa um cara que de tão bêbado se mijou dentro do carro alheio. Bah, o dono ficou madrugada adentro limpando a patchaca. hahahaha, não resisti, tive que contar essa
Para quem não foi, lamento mesmo, mas logo logo tem mais pintando por aí.























