Adan L. Marini (Calote)

Digamos assim, isso é um diário digital, onde posto assuntos de meu interesse e outros que me chamam a atenção. E claro, algumas histórias engraçadas. Aqui vou comentar filmes, música, séries, desenhos, games... Não, não é viadagem, até porque não vou começar os textos com "querido diário". É apenas uma maneira fácil que encontrei de botar alguns assuntos que estão na minha cabeça pra fora. Desabafar, desafogar, fazer o trânsito andar.

23 outubro, 2006

Eu odeio, mas mudanças são necessárias

Me considero um cara acomodado, não de ser vagabundo, mas acomodado no sentido de manter uma rotina e nunca fazer uma mudança muito brusca no que faço na vida. Mas tenho uma teoria, pra mim uma rotina não dura mais do que 2 anos e essa teoria tem funcionado. Venho observando isso a minha volta, pessoas acabam namoros, trocam de empregos, enfim, mudam a vida bruscamente de alguma maneira ou em algum sentido. Espera-se que sempre pra melhor, mas na minha opinião é sempre pra melhor sim, para crescimento pessoal e auto-conhecimento.
Tem pessoas q não conseguem ser assim como eu, tentar ao máximo manter uma rotina. Talvez eu faça isso como uma forma de segurança, por ter medo do desconhecido. Mas aqueles que são os chamados nômades querem mais que essas mudanças aconteçam, uma dessas pessoas é um cara que trabalhava aqui comigo, o Maurício. Sexta-feira dia 20 foi seu último dia aqui, antes de ele voltar para Pelotas, mas agora trabalhando com o que ele realmente gosta, publicidade.




Há algum tempo ele já andava descontente por trabalhar aqui conosco, por que aqui se visava somente o design e a publicidade ficava em segundo plano. O que ele resolveu fazer então foi começar a estudar e ler livros a respeito, e ele leu, leu tanto que no fim ele sabia sobre publicidade mais do que todos aqui juntos, tanto que saiu daqui com uma bagagem imensa, saiu daqui atropelando todo mundo. Teve que sair porque a empresa não conseguia mais suprir ele com o tanto que ele poderia oferecer. Caramba, eu já percebi que ele sabia muito quando entrei aqui e que ele andava frustrado por não poder usar isso e chegou uma hora que ele precisou dar vazão a isso e só se resolveria com a sua, porque não dizer assim, súbita mudança de planos. Realmente pegou todo mundo por aqui de surpresa.


Teve até uma época que ele estava contente, bem estabelecido e pretendia se casar pra começar a vida aqui, só que não durou muito. Infelizmente pra mim e felizmente pra ele eu entendo o seu lado.
Mas tudo bem, ele deve estar realizado trabalhando com o que gosta, mais perto de seus parentes amigos e amor.
Tudo o que resta aqui são lembranças, e boas lembranças claro, lembranças de uma cara que faz e ainda vai fazer diferença na vida de muitas pessoas, bonachão, criativo pra caralho e adiante do seu tempo, quando digo isso é porque o cara tem cacife pra trabalhar em uma das agências grandonas mesmo, sem exageros e sei que ele chega lá. Tenho certeza que ele não vai ficar nessa rotina por muito tempo, ele não é esse tipo de pessoa, vai estar sempre em constante mudança, de alguma maneira.


Vou sentir saudades dos dias que voltávamos a pé do trabalho (isso depois de eu sempre ter que esperar ele se aprontar pra ir embora, ele tinha que ir no banheiro, colocar as coisas na mochila, desligar o micro, bom, chegou num ponto que eu tinha que avisar que estava indo embora uns 10 minutos antes pra podermos sair na hora) papeando, falando merda ou às vezes eu só ouvindo ele que dizia: “Bah cara, to falando muito?” e eu respondendo: “Não cara, eu sou um bom ouvinte, pode falar porra!” Sem falar nas vezes que ele reclamava por eu estar de carro, dizendo que a gente não tinha muito tempo pra conversar. heheheheh
Vou sentir saudades das poucas, mas boas cachaçadas, inclusive agora me arrependo por não ter feito mais disso com ele, não sei o porque, mas é tipo de coisa que a gente só percebe depois.
Das jantas, com arroz e às vezes churrascos.
Das idas ao cinema.
Dos dias que ele ficava emburrado com problemas pessoais.
De que cada vez que ele se alevantava da cadeira ele saía cantando.
Dos fones em volume ensurdecedor, mas mesmo assim ele ouvia.
Do quanto ele se indignava com o povo e as minas daqui da Caxias.


Dos sons que curtíamos, tirando Los Hermanos claro, não sei como ele gosta disso! ahahahah! “Bah, consegui vários álbuns dos Dire Straits cara, vou te mandar!” E dá-lhe entupir HD! Hahahahah
Dos trabalhos que fazíamos juntos aqui, pequenas obras de arte que surgiam com a junção de nossas idéias, sorte de que for trabalhar com ele agora.
Do quanto começou a curtir cultura pop, coisa que ele sempre fala que fui que o injetei isso. Filmes, quadrinhos, música e por aí vai... Foi ótimo fazer ele conhecer esse mundo dominado por Alan Moore, Quentin Tarantino. Assim como foi ótimo ler os livros que ele me emprestou, foi ótimo conhecer o lado emocional da publicidade, foi ótimo conhecer novos sons, foram ótimas as referências de sites de publicidade, foi ótimo ele ter me ajudado a pensar simples (Menos é mais porra!!) ih, tem muita coisa que aprendi com ele e espero eu que ele também tenha aprendido comigo.

Dos palavrões diretamente tirados do seriado do Bátima. Ficamos meses a fio repetindo eles! Hahaha
Dos gritos dos vídeos do Mundo-Canibal! Aaaaahhhh Mullequeeeee! Gritos pra valer mesmo, aqui no trabalho, parecíamos dois loucos.


Do quanto ele ficava ou ficávamos putos quando um trabalho perfeito não era aprovado.
Do quanto ficávamos faceiros quando um trabalho perfeito era provado.
Dos almoços que ficávamos papeando, tanto trazendo comida de casa quanto indo até a padaria ali perto. Parece que agora vou ter que almoçar sozinho.
Dos desabafos com os problemas da vida.
Mas tudo bem, tem MSN pra isso sem falar que em Dezembro tem o casamento do cara e lá vai dar pra matar a saudade e se matar de tanto beber, quero dar despesa mesmo, hahahahah.
Sem falar que ele não vai deixar de vir pra cá visitar seus irmãos e sobrinhas.
Sua estada terminou aqui como não poderia deixar de ser, com uma cachaçada que começou na cachaçaria e terminou no Snooker Campeão, comigo a Iandra a Lia e ele fechando o lugar.


Bom, só tenho que agradecer a ti cara, que por onde passou fez uma grande diferença na vida das pessoas.
Meu muito obrigado e nos vemos pela vida.

Maurício, desculpa se ficou meio gay isso, mas eu não podia deixar passar em branco.